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Ó Ministério Público de Pernambuco-MPPE enviou NOTIFICAÇÃO, para Weligton Medeiros, autor da representação em nome do Leões do Norte, que denunciou a Igreja envolvida em práticas discriminatórias contra homossexuais, nos meses de março e abril.
A notificação é andamento da primeira audiência acontecida em 5 de maio. Esse é o primeira caso denunciado na Justiça para impedir que a nossa dignidade seja ferida em cultos religiosos, promovido em via pública utilizando carro de som.
O nosso protesto contra o ato de homofobia aconteceram em todos os culto, inclusive com a tentativa de policiais militares em reprimir nosso ato com retirada de nosso carro de som, o que não permitimos até a igreja respeitar nossa dignidade.
Após reunião realizado no dia 17 de maio às 14 horas, com a Administração do Terminal de Integrado de Passageiros-TIP e policiais militares sobre incidente acontecido no dia 28 de abril envolvendo militantes homossexuais pernambucanos, Letícia e Larissa de Caruaru e Adonias de Bezerros ficou acertado que as travestis poderão usar o banheiro feminino.
Antes de usar o banheiro, a travesti deverá procurar funcionária para poder garantir esse direito. O fato de usar um banheiro não é capricho, mas segurança, pois as travestis são agredidas em banheiros masculinos.
Mais uma conquista do movimento homossexual após fazer a denúncia e exigir que sejamos tratados com respeito.
Esta página será atualizada diariamente pois a medida que conhemos os candidatos que disputarão verificamos sua atuação, seu partido e perfil.
Afonso Ferraz - PSDB
Antonio Moraes - PSDB
Carlos Gueiros - PRTB
Carlos Lapa - PSB
Coronel José Alves - PAN
Coronel Rufino - PFL
Elias Lira - PFL
Henrique Queiroz - PP
Inocêncio Oliveira - PL
Joaquim Francisco - PFL
João de Deus - PTB
José Mendonça Bezerra - PFL
Malba Lucena e seu filho Charles Lucena - PTB
Manoel Ferreira -PFL
Marco Maciel - PFL
Maviael Cavalcanti - PFL
Murilo Mendonça - PSL
Pastor Cleiton Collins-PSC
Roberto Liberato - PFL
Romário Dias - PFL.
Salatiel Carvalho
Sebastião Rufino - PFL
Severino Cavalcanti - PP (o mais raivoso)
Vivente André Gomes - PC do B
Em ano de eleição é comum que os candidatos apareçam defendendo propostas que incluam os diversos segmentos.
Vamos tropeçar em muitos panfletos na caça do voto e alguns fazem até a defesa dos homossexuais (esses somos nós) mas sem nunca tê-los visto em qualquer ato que promovemos, sem nunca ter tido solidariedade aos momentos em que mais precisamos de apoio. O exemplo mais claro de "defesa da diversidade" foi o candidato Daniel Coelho que desapareceu dos locais de concentração homossexual depois de eleito vereador do Recife.
Na campanha eleitoral de 2004 estreamos o primeiro debate com os candidatos a prefeito do Recife, o que foi destaque na revista IstoÉ no mês de setembro e fomos também alvo de perseguição no programa do candidato, Irmão Araújo e do deputado estadual Pastor Cleiton Collins, ambos do PSC.
Apareceram no debate, na Metrópole, para discutir nossos problemas, propostas e soluções, apenas Luciano Siqueira, representando o Prefeito João Paulo, e Raul Jungmann, deputado federal e candidato a prefeitura do Recife. Cadoca, Joaquim Francisco não compareceram e Silvio Costa, numa demonstração de desrespeito se retirou ao perceber que o debate não era um circo e os homossexuais não eram palhaços.
Os dois candidato presentes ao debate se comprometeram com o segmento e na ocasião se colocaram a favor das reivindicações dos homossexuais.
A partir desse mês vamos ser bombardeados por panfletos de diversos candidatos. Ontem, dia 14 de julho no bar Pithausen, já fomos "convidados a participar" de inauguração de Comitê de candidato a deputado federal. Mais uma vez se repete a mesma abordagem de candidatos que buscam o voto porém sem uma proposta concreta para que a cidadania dos homossexuais seja respeitada.
Na edição do próximo Rugido faremos uma análise da atuação dos parlamentares que defendem, propõem e os respectivos votos contra e a favor de nossos direitos.
Cada CANDIDATO HOMOFÓBICO terá o seu espaço na nossa página do Rugido e no Blog do Leões.
Cada CANDIDATO COM ATUAÇÃO FAVORÁVEL terá nosso respeito.
Weligton Medeiros
DA RAZÃO DA “GAYNITUDE”
Por Rodrigo Benevides
Nos dias atuais, fala-se bastante em contextos integralizados geradores de contatos culturais. O caso é que muitas vezes valores, hábitos, crenças religiosas, padrões de vida familiar e até a forma de consumo local sentem-se traídos pelas “Inovações Morais”. A idéia de Inovação Moral, aqui exposta por mim, designa todas as conquistas alcançadas pelas minorias organizadas mundo à fora, seja o movimento de consciência negra, feminista ou de luta pelos direitos gays. Aqui, verificamos a resistência contra uma ordem pré-estabelecida( e mal estabelecida!) daqueles que se encontram à margem dos grupos sociais.
As inovações morais muito devem, em sua totalidade, à mídia, ou melhor, ao “império dos instrumentos midiáticos”, pois, segundo alguns estudiosos, esse imperialismo busca a homogeneização cultural em níveis globais, algo a ser ainda questionado. O caso é que estamos diante de uma faca de dois gumes. Em determinados programas de televisão, por exemplo, são realizados debates sérios em torno da questão homossexual, trazendo informações significativas( apesar das divergências!), que levam o “gay” a tomar consciência de certos posicionamentos, seja ele religioso, jurídico ou moral. O problema surge quando a mídia traz o estereótipo do gay como bôbo-da-corte, pintoso(nada contra!),frágil, e, infelizmente, promíscuo. Onde estão os grandes gays da história? Não existem juízes, médicos, megaempresários gays? Talvez pudéssemos até entender o porquê dessas limitações nos meios de comunicação em massa. O difícil é entender o preconceito entre aqueles que dizem lutar contra o mesmo. Pois é! Se lutarmos por uma causa, provavelmente haverá outros lutando por outras. Não há de se achar estranho se núcleos familiares saem em passeata, protestando pelas ruas contra o casamento gay, pois assim como nós, são vítimas do mesmo jeito. São vítimas da reprodução do preconceito de suas épocas. Hoje, seus protótipos de normalidade estão incrustados em suas mentes e não somos nós que colocaremos fim nisso. Podemos sim, impedir que, no agora, novas vítimas do preconceito sejam feitas, através de conscientização nas escolas(principalmente), dos debates abertos (abertos não só no sentido de público, mas também de saber ouvir as divergências), do apoio da imprensa, com discussões sobre a temática gay, dentre outros. Sei que isso aparenta ser mera retórica, sempre aquele blá-blá-blá que parece estar saturado. Engano nosso! Aos poucos esses gritos de protesto “colorido” expressos nas roupas extravagantes(ou “caretas”), na forma extrovertida ( ou enrustida), no corpo “magérrimo”!!!!! ou “bombado”, também ficarão incrustados na mente da nova geração, se por isso lutarmos. Mas tal incrustação só será positiva se sua base for o respeito e não a tolerância(como muitos pensam!). A respeitabilidade legitima a convivência, o que é mais importante, visto que o respeito reitera o amor, enquanto que a tolerância se sustenta em bases jurídicas, ou seja, “nos agüentam”, porque existe a norma( e olhe lá...!). Não pretendo demonstrar que ser tolerado por uma sociedade conservadora não já seria um grande passo, mas acredito que existe algo de mais profundo a ser alcançado – o respeito! Deste não podemos abrir mão! Mas ele só se torna passível de ser almejado quando é RECÍPROCO. Se você não se presta a respeitar, respeitado não será! E esse é um problema que observo bastante entre nós, gays! Lutamos apenas pelo respeito externo, por parte dos héteros, ou pelo reconhecimento de uma dignidade mais ampla? Acho que precisamos refletir um pouco sobre tais questões. Acerca do “ser gay” é um dos pontos mais relevantes a ser abordado. Desde que me entendo por gente, a natureza da homossexualidade vem sido debatida a todo custo( e à custa de muitas vidas!). Não foi pecado! É pecado, ainda, para muitos! É dogma e nada podemos fazer a não ser TOLERAR! Foi, é, e, espero que não continue sendo imoral. Juridicamente, já presenciamos grandes vitórias(em tese), pois também devemos verificar se aquele que detém a potestade para legislar, o faz com o intuito de construir uma sociedade mais justa, e não sua carreira política, vendo nos gays uma subcultura que o levaria para Brasília e lá o manteria! Pois é isso mesmo que acontece muitas vezes! Isso é tolerância, não respeito! Outro exemplo são os bares que nos recebem com um sorriso de canto a canto. Você sabe por quê? Porque fazemos parte de um novo nicho – o do Pink Money! A idéia é: “não me interessa se você é gay, o importante é que consuma e pague!” Esse é outro exemplo mais amplo de tolerância, o que leva muitos gays a pensarem que estão sendo respeitados! Acho que o respeito deveria ter suas origens, primeiramente, dentro da mentalidade de cada indivíduo gay, devendo este reconhecer-se como pertencente a um grupo onde nem ele, nem os partícipes, devem estar preocupados com o “enquadramento” sexual do próximo, se é ativo, passivo, bissexual, homossexual. Isso não importa! Todos são gays, e pelos direitos destes devem continuar lutando. Isto é a “Gaynitude” !!! Afinal, somos agentes produtores de mudanças sociais, pertencentes a uma coletividade de indivíduos atuando juntos com um objetivo comum de ação - a luta contra a homofobia!
Espero que possamos dar continuidade a esses esforços coletivos, tornando, não só as leis mais justas, como também as mentes dos nossos vizinhos mais coloridas.
Rodrigo Benevides é Cientista Social. Atualmente desenvolve pesquisa no Mestrado em Sociologia da UFPE sobre Relações Homoafetivas
Quero deixar claro que, apesar da origem etimológica do termo “gay”, utilizo este para designar qualquer ser humano que mantenha relacionamento amoroso com outro do mesmo sexo. Portanto, bissexuais, sejam femininos ou masculinos; homossexual, masculino ou feminino, todos estão na categoria “gay”.