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A Folha de Pernambuco está fazendo uma reportagem sobre a homossexualidade e bem interessante. Mas após a Parada, por haver mais um tempinho para escrever, faremos algumas reflexões sobre o que foi publicado no dia 30/08/2006 da Pesquisa realizada que encontraram números que não é a nossa realidade.
Só para ter uma idéia, essa pesquisa "verificou que 82% dos entrevistados declararam que a convivência entre pessoas do mesmo sexo não traz problemas de relacionamento, seja no trabalho, na escola ou na família" ou ainda "questionados se a homossexualidade é um desvio de conduta, 80% dos três mil entrevistados responderam que não".
Esses números deixa uma dúvida da metodologia, onde pesquisaram, classe social, econômica, empresa que pesquisou, idoneidade.
Esse "mundo cor de rosa" figurado na pesquisa é bem diferente do que vivemos no dia-a-dia quando muitos "não tem nada contra nós, homossexuais" mas não gostariam de ter um filho estudando com um homossexual ou ainda ter um filho, irmão, tio, mãe, pai ou parente homossexual. Mas não tem nada contra(?).
Vale a pena fazer a leitura e comparar o que se fala, inclusive sobre o que pensam os evangélicos e na matéria de 31 um rabino colocar seu posicionamento bem conservador, comparado aos dados da pesquisa.
BOA LEITURA
30/08/2006
INTOLERÂNCIA NA LONA
Estudo revela que Pernambuco é um dos que têm o menor índice de preconceito do País
Rivânia Queiroz
Homossexualidade. Recorrendo ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa encontramos homossexual como relativo à afinidade, atração e/ou comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo. No entanto, essa palavra é originária do século XIX, a partir do grego homo (igual) e do latim sexus. A expressão, embora ainda seja vista por muitos como algo distante e fora dos padrões convencionais, tem ganhado visibilidade.
Uma pesquisa nacional de opinião pública divulgada esta semana sobre Cidadania e Sexualidade revela que os brasileiros estão mudando a visão sobre o tema. Dados colhidos nas cinco regiões do País mostram que a intolerância ao homossexual diminuiu. Segundo a amostragem solicitada pelo grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, ao Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), em julho de 2006, as duas regiões que apresentaram o menor índice de rejeição foram Sudeste, como o Rio de Janeiro encabeçando a pesquisa (11,5%) e Nordeste, representada por Pernambuco (19,7%). Já a que demonstrou o maior percentual de preconceito foi a região Norte (21%). Com base nesse estudo, a Folha de Pernambuco inicia hoje uma série de reportagens que termina no sábado com a cobertura da Parada Gay do Recife.
“A pesquisa é muito positiva. Ela mostra que o brasileiro está respeitando a diversidade humana. Por muito tempo a sociedade discriminou, tratou o assunto como desvio de conduta. Hoje, começamos a notar que há realmente uma mudança em relação ao assunto”, diz Cláudio Nascimento, coordenador de Políticas Públicas do Grupo Arco-íris e secretário de Direitos Humanos da Associação Brasileira dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais.
O estudo também verificou que 82% dos entrevistados declararam que a convivência entre pessoas do mesmo sexo não traz problemas de relacionamento, seja no trabalho, na escola ou na família. Já quando questionados se a homossexualidade é um desvio de conduta, 80% dos três mil entrevistados responderam que não. Para eles, ao assumirem sua sexualidade, os homossexuais estão exercendo o direito à sua liberdade.
A pesquisa ainda constata que 54% das pessoas disseram que a discriminação deve ser considerada crime, assim como o racismo. Essa posição é compartilhada entre homens e mulheres. Quando cruzada com a idade, a aprovação aumenta entre os mais jovens. Outro dado que chama atenção no estudo são as respostas ligadas às instituições religiosas. Cem por cento dos judeus, agnósticos e ecumênicos são favoráveis ao tema. Católicos e evangélicos estão divididos, com 56% e 46%, respectivamente.
30/08/2006
Gays já não são mais rejeitados entre parentes
Joel falou da sua opção sexual para familiares aos 19 anos
Aceitar a homossexualidade de um filho ou de uma filha, por muitos anos, foi algo difícil para a maioria dos pais. Hoje, no entanto, esse sentimento começa a ser extinguido. A própria pesquisa mostra que se declarar homossexual em casa não significa mais correr o risco da rejeição. “Encaro como uma coisa normal, algo que pode acontecer em qualquer família. O carinho que tenho pelas minhas duas filhas (homossexuais) não é menor que o das outras duas (heterossexuais)”, confessa a aposentada Maria (nome fictício), 69 anos.
Ela conta que há cinco anos descobriu que a filha caçula era gay. Na época, chegou a pensar que se tratava de más influências de alguns colegas. A surpresa, no entanto, não foi maior quando, após duas semanas, soube da outra filha. “Nunca pensei em desprezar minhas duas filhas, ou me afastar delas. Muito pelo contrário. Fui atrás de entender sobre o assunto. Vi que não se tratava de influências, de doença ou coisa parecida. Hoje, eu só quero que elas sejam felizes”.
A aceitação e o respeito que a aposentada tem às filhas está em consonância com a opinião de 54% dos entrevistados da pesquisa mencionada. Ao procurar saber qual seria a reação deles se um parente próximo (irmão, irmã, filho ou primos) revelasse sua homossexualidade, verificou-se que a grande maioria, 94% respeitariam. Entre esse público, 54% não apenas respeitariam como também apoiariam esse parente. Apenas 2% responderam que não respeitariam e 3% não saberiam como reagir.
“A primeira pessoa que contei foi para a minha mãe. Na época, ela disse que já sabia, mas preferia imaginar que estava no mundo do faz de conta. Era mais fácil para ela”, comenta o empresário Joel Siqueira de Oliveira, 41 anos. Ele acrescenta que hoje os seus pais e irmãos não só aceitam, como participam da sua vida.
Para o empresário, no passado só quem tinha coragem de assumir sua orientação sexual eram os gays mais afeminados. “Então, a sociedade criou a idéia de que o gay era o homem que se vestia de mulher, ou seja, o travesti. Nos dias atuais, isso vem mudando e a sociedade percebendo que o homossexual é uma pessoa normal como qualquer outra”.
30/08/2006
Prática era comum na antigüidade
A expressão homossexual pode até ser desconhecida de algumas civilizações antigas, o que não significa dizer que a prática era inexistente. A história conta que, na Grécia Antiga, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo era algo comum e aceitável. Essa relação, que hoje é denominada de homossexualidade, era quase sempre orientada para finalidades específicas. Na região de Atenas, a pederastia (contato sexual entre um homem e um outro bem mais jovem) visava a formação sexual ou intelectual da pessoa mais nova.
Já em Esparta, além da pederastia, a relação entre homens era estimulada no Exército e tinha por objetivo tornar o combatente mais forte. Os comandantes achavam que um amante, além de lutar, jamais abandonaria outro amante no campo de batalha. O Batalhão Sagrado de Tebas, por exemplo, famoso por suas vitórias, era formado totalmente por pares homossexuais.
A homossexualidade feminina também esteve presente na história da Grécia Antiga. É da antigüidade grega que se vem o termo lésbica. Lesbos era o nome da ilha onde viveu a famosa poetisa Safo. Outras personalidades da antigüidade também são conhecidas por terem se relacionado com pessoas do mesmo sexo, como Zeus, o deus grego, que levou o seu amante para o Olimpo. Teseu seduziu não apenas as donzelas no labirinto, mas também os “monstros”. Por fim, os filósofos Sócrates e Platão tiveram envolvimentos pederastas.
PRESENÇA
A empresária Maria do Céu, da Metrópole, que já foi Miss Caruaru, volta à Capital do Agreste, amanhã, como madrinha da 1ª Parada Gay da cidade, organizada pelos grupos Expessão de Bezerros e Leões do Norte. O evento tem apoio da Secretaria de Cultura de Caruaru e vai contar com trio animado por Nani Mell. Movimenta caravanas de Bezerros, Surubim, Palmares, Água Preta, Cabo, Gravatá e Recife.
ALIÁS,
Está de parabéns a Secretaria de Cultura de Caruaru, pela postura diante da causa. Enfim, todas as regiões pernambucanas estão mostrando que avançam na questão da quebra de preconceitos.
ASSUNTO
Os três principais candidatos ao Governo de Pernambuco confirmaram participação em sabatina com o segmento homossexual do Estado, sob comando da ONG Leões do Norte. O encontro está marcado para o dia 13, na Metrópole. Mendonça Filho apresentará suas propostas das 19h às 20h, Eduardo Campos, das 20h às 21h, e Humberto Costa, das 21h às 22h. A ONG vai convidar seis entidades e três jornalistas para formular perguntas.
O projeto de lei 5.003/01 está na pauta de votação do Plenário da Câmara dos Deputados há três semanas. De autoria da deputada Iara Bernardi (PT-SP), o projeto torna crime a discriminação por conta da orientação sexual das pessoas, a exemplo do que já acontece com o preconceito racial. Se for aprovada pelos 513 membros da Casa, a matéria será o primeiro grande passo para combater, de forma sistemática, a homofobia no Brasil, segundo a avaliação dos ativistas do segmento GLTB.
Apesar da espera pela votação, a autora do projeto demonstra confiança. “Há um clima de respeito e compromisso com a causa. Todo o processo foi debatido com a sociedade, por meio de seminários e consultas, inclusive nas comissões internas da Câmara. Isso faz com que a discussão do tema amadureça dentro do Parlamento”, avalia Iara Bernardi, que coordena a Frente Parlamentar Pela Livre Expressão Sexual, grupo suprapartidário que reúne 85 deputados e nove senadores.
A deputada espera que o projeto de lei seja votado nesta quarta-feira, 17 de maio. A pauta de votação da Câmara está trancada por cinco medidas provisórias, que têm prioridade na apreciação. Só depois que essas matérias forem examinadas é que a votação dos projetos de lei poderá seguir normalmente no Plenário. Segundo informou Bernardi, um requerimento de urgência, assinado por seu colega Rodrigo Maia (PFL-RJ), fará com que o PL 5.003/01 tenha preferência na avaliação, quando a pauta da Casa estiver liberada.
Apoio – No início de abril, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), recebeu um grupo de 30 representantes do movimento GLTB e se comprometeu a colocar a matéria em votação, se a Frente Parlamentar conseguisse o apoio dos líderes dos partidos. De acordo com a deputada Iara Bernardi, todos os líderes partidários e mais 90 parlamentares apoiaram a proposta de criminalização da homofobia.
Em março deste ano, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros conseguiu que líderes de nove partidos (PT, P-Sol, PCdoB, PV, PFL, PL, PMDB, PPS e PSDB) assinassem requerimento pedindo a inclusão do projeto na pauta do Plenário. "Essa é uma grande vitória. O movimento [GLTB] quer que a Constituição Federal e a legislação brasileira sejam adaptadas para impedir a discriminação por orientação sexual e de gênero”, resumiu, à época, Iara Bernardi, em depoimento à Agência Câmara.