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Foto publicada no fotoblog de Rafael
Peço licenca ao fotologger que publicou esta linda foto. Não consegui tirar nenhuma foto da Parada, mas adorei esta foto e ela expressa tudo o que eu estou sentindo.
Tenho acompanhado as paradas da diversidade do Recife desde o começo, onde aquelas paradas "não-oficiais" aconteciam no Parque 13 de Maio, com poucas pessoas.
Este ano não foi diferente. A crescente aceitação da homossexualidade pela sociedade vem trazendo cada vez mais participantes, e a cada ano que passa, o evento vem tomando grandes proporções.
Muita gente vai querer me cruxificar por estar abrindo essa discussão, mas é fato e eu não tomei essa impressão da Parada deste ano sozinho.
Não posso deixar de elogiar o trabalho da Secretaria de Saúde; os participantes tiveram fácil acesso a distribuição de camisinhas, gel lubrificante e orientação. Ponto positivo.
Mas a única emoção que eu realmente pude ter na Parada, foi ter sacudido a gigantesca bandeira do arco-íris no carro abre-alas da Parada, que tomava parte da avenida. Foi muito bom ter passado por debaixo da bandeira, onde muitos ativistas pulavam e gritavam pelos nossos direitos. Também tive o orgulho de carregar uma pequena bandeira durante todo o percurso. Mas foi só isso.
Primeiro: a Parada saiu muito tarde. Oito da noite, e os carros ainda estavam no começo da avenida. A hora do rush, onde a maioria da população que ali circulava, já estavam em suas casas. Percebia-se apenas os participantes tomando conta das ruas. Não havia PARA QUEM protestar; poucos espectadores estavam lá para mostrarmos que não comparecemos apenas para dar beijo de boca na rua, criando a doce ilusão que não estávamos sendo vítimas do preconceito naquele momento, mas para afirmar que somos cidadãos e também queremos defender nossos direitos, a fim de criar uma sociedade mais justa e equilibrada.
Segundo: Para onde foi o objetivo da Parada? Tudo o que se viu foram trios elétricos; em alguns, só se ouvia música; em outros, frases do tipo "Vamos beijar na boca!", "Aqui só estão as finas, as ricas, as bonitas..." (tsc tsc tsc), em outros, apenas uma gritaria sem fim pelos garotos musculosos dançando sensualmente. Apenas um representante do grupo Leões do Norte proferiu algumas poucas (muito poucas, poucas mesmo) palavras em um breve discurso, que não acrescentou em nada ao que nós já sabíamos.
Terceiro: Víamos ali, vários candidatos aproveitando a oportunidade para angariar votos, onde nomes de políticos que nunca lutaram por essa causa associando seus nomes a bandeiras multicoloridas. Vi um candidato que apenas divulgava o número, mas seu nome era quase imperceptível.
No geral, o que se viu foi um grande carnaval de rua, sem nenhum protesto, sem nenhuma pressão para os governantes para que se criem mais políticas públicas para a sociedade GLBTS. Será que o fundamento da Parada da Diversidade está sendo perdido?
Não estou aqui para dizer que a Parada deve ser algo sério e sisudo. A irreverência e a contagiante alegria dos participantes da parada são a marca registrada, mas não é só isso. O objetivo não é esse.
Costumo comparar as paradas aos movimentos feministas que ocorriam com grande força nos anos 80 e 90. Hoje em dia não se vê tantos protestos feministas nas ruas, pois as mulheres, a cada dia que passa, estão conquistando um lugar cada vez maior na sociedade, derrubando o machismo a cada dia, com pressões para que a situação melhore cada vez mais para elas. Isso sim, é resultado.
Gostaria que existissem eventos paralelos durante a semana em que aconteceria uma Parada Gay. Palestras, congressos, um festival de cinema GLBTS (pra onde foi o MixBrasil?), exposições, enfim... Sei que isso não é fácil, mas não acho impossível. Falta interesse dos patrocinadores para isso.
Lamento ter que escrever isso, mas é uma forma de gritar meu alerta aos organizadores do evento. Espero que, nas próximas edições, a Parada da Diversidade do Recife tenha um apoio maior do governo, uma ampla divulgação e participantes mais conscientes do seu papel a cada passo dado naquela avenida. Evoluir sempre, regredir jamais!
E tenho dito. Beijos a todos.